Thompson Flores (TRF-4) descende de Coronel que tentou matar Antonio Conselheiro, mas foi assassinado na Guerra de Canudos

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O presidente do TRF-4 é trineto do irmão do Coronel

Belo Monte, como era conhecida pelos habitantes da comunidade fundada em Canudos, caminhava próspera e auto-suficiente sob o comando do líder religioso conhecido pelo nome de Antonio Conselheiro. Lá, errantes famintos – fugitivos da seca devastadora ou ex-escravos recém libertados e atirados a um mundo hostil – saciavam sua fome e eram acolhidos pelo personagem principal daquela história, com quem fundaram uma polêmica sociedade que, por sua independência e soberania, não atendia aos interesses do Governo opressor da época. Então, inventaram que Conselheiro era louco e desenvolveram uma mentira qualquer para perseguí-lo e, por fim, matá-lo. Ele, juntamente com seus quase 25 mil seguidores, foi assassinado na quarta e última investida contra Belo Monte por soldados da república liderados pelo General que erroneamente noticiaram ser bisavô de Carlos Eduardo Thompsom Flores Lenz, do TRF-4.

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Única fotografia de ANTONIO CONSELHEIRO morto

Isso mesmo! O militar que matou Antonio Conselheiro, o humilde visionário que idealiou a comunidade que é ainda um sonho para a maioria dos brasileiros da atualidade, não é da família do desembargador. O parente do magistrado é, na verdade, um certo Coronel que foi morto naquela Guerra e tem o nome registrado como Tomás Thompson Flores, que está nos livros da história daquela luta sangrenta. Ele é irmão do trisavô do desembargador do TRF-4. Tomás tentou invadir Canudos, mas morreu em batalha.

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Militares da República em Canudos

Mas, por fim, a ideologia de Conselheiro foi interrompida brutalmente pela Justiça e pela mesma parcela da sociedade horrível que a atual. E o desejo de Antonio Conselheiro, fundamentado na tentativa do resgate social – de oprimidos e desamparados – naquele período de seca e pós-abolição da escravatura, sobreviveu pouquíssimos anos.

Entretanto, esse mesmo instinto natural pela vida, pela sobrevivência, prevaleceu em todas as lutas sociais através dos tempos até hoje. E tem familiaridade com o Brasil golpeado do Impeachment de Dilma Rousseff até o notório e moderno lawfare enfrentado por Lula para torná-lo inelegível e para acuar toda e qualquer ideologia progressista em nosso país já colonizado pelas grandes potências do mundo.

Portanto, o dia 24 de janeiro já é conhecido como o dia do juízo final, que será derradeiro se em favor da ‘Justiça’ golpista ou revelador se em favor de Lula, quando poderemos olhar novamente para o futuro e participar das decisões dos nossos representantes na política, como é o certo.

O desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz é de uma família tradicional no Rio Grande do Sul. É neto do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Thompson Flores, que esteve na corte suprema entre 1968 e 1981 – ou seja, foi nomeado durante a ditadura militar, pelo presidente Costa e Silva, e atuou nesse período.

O ex-ministro, por sua vez, era neto de seu homônimo Carlos Thompson Flores, que foi governador da província do Rio Grande do Sul, ainda na época do Império.

O ex-governador Carlos é irmão de Tomás, o personagem ao qual Lula se referiu. Tomás era militar e político. Lutou na Guerra do Paraguai e, em 1890, foi eleito para o cargo de deputado federal na primeira Constituinte do período republicano.

Em 1897, foi líder de uma expedição do governo brasileiro que tinha o objetivo de atacar Canudos, então cenário de uma revolta popular liderada por Antônio Conselheiro. Em 22 de junho daquele ano, morreu durante uma batalha. Conselheiro, por sua vez, só faleceu em 22 de setembro de 1897 – três meses mais tarde.

Em relato de Euclides da Cunha, Tomás tomou a linha de frente de sua brigada pessoalmente, mas preferiu não retirar as indumentárias de coronel – o que fez dele um alvo fácil e óbvio para os opositores.

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