Nem Lula nem Bolsonaro. Não haverá eleições em 2018. O parlamentarismo é a nova fase do golpe.

É muito provável que estejamos vivenciando os últimos momentos do presidencialismo. Lastimavelmente, a democracia agoniza podendo até já estar morta e o que ainda se apresenta dela são os espasmos de um corpo sem vida, sem o enredo ideológico e memorável que acabou de partir para o nada. E é bem capaz que não componha sequer algum capítulo de livro justamente pela carência da partidarização de historiadores teóricos.

Obviamente, ainda achamos que estamos confortáveis neste sistema presidencialista porque somos sabedores de nossa participação ativa nos processos de escolha daqueles que nos representam e trabalham para o nosso crescimento (é assim que deveria ser). E ainda que não tenhamos jamais alcançado a conscientização política coletiva necessária para nos adequar ao universo cultural pluralista que nos caracteriza, ao menos existe o desejo de prosperidade no íntimo individualista de cada componente dos núcleos sociais, o que nos dá a sensação de que somos donos de nosso futuro dentro deste vasto território chamado Brasil.

Logo, sabemos que a dimensão da responsabilidade da escolha do Presidente da República é proporcional à necessidade de progredir que habita cada um de nós. E a esta altura do golpe que vem se desenrolando desde 2016, provavelmente o povo brasileiro jamais teve tanta certeza de que urge uma grande mudança neste cenário político insuportável. É por este motivo que cada vez mais Lula amplia sua margem e leva vantagem sobre ‘os outros (?)’ adversários presidenciáveis extremamente duvidosos.

A nação inteira sente a necessidade de recuperação da segurança de um estado de direito, o qual foi violentado notadamente por meios ilícitos. Nos governos mais recentes, lapidávamos pacientemente o progressismo ideal e necessário para colocar o Brasil (estávamos no caminho certo) nos trilhos que levam à soberania, o que poderia nos proporcionar a independência e autosuficiência definitiva. Temos todos os recursos naturais que podem gerar uma qualidade de vida invejável, a saber (alguns ainda não sabem) pelo domínio mundial na produção de Nióbio bem como pelo o polêmico pré-sal, que protagonizou o maior conto-da-carochinha que já ouvimos.

Estivemos a poucos passos de nos alinhar aos países mais desenvolvidos do planeta. O mundo nos olhava com respeito, confiança e entusiasmo. Mas fomos derrubados quando confundidos pelo ódio que brotou de nossos corações. Aproveitaram-se da cognição deficiente de um povo acostumado a entregar o comando de suas vidas aos ‘santos milagreiros’ que surgem em todas as campanhas eleitoreiras. O desafeto – este desqualificado sentimento – foi pacientemente semeado dentro de todo homem com fé durante os governos oposicionistas ao de hoje. Quanto aos outros homens, os públicos, muitos tiveram seus atos corruptos desvendados naturalmente por aqueles mesmos governos com pretensões sérias e responsabilidades sociais explícitas.

Gradativamente, perdemos inúmeras garantias e retrocedemos. Segundo Requião, foram uns cento e trinta anos. Tanto que nas sociedades de base de nossa economia muitos já perceberam que tudo fez parte de um grande plano que, possivelmente, foi meticulosamente traçado pelos donos do capital durante os governos petistas com o fim claro de dar cabo às ideias pretenciosas de liderar o mundo ou de, pelo menos, fazer parte dele. Quem ainda não percebeu, que o perceba logo, pois sua irreversibilidade é cada vez mais óbvia.

Mas não paramos nisso. Ainda não acabou. Vem aí uma outra fase, algo como uma garantia estendida do golpe 2016. Que golpistas tolos promoveriam uma grande quebra da ordem constitucional legítima vigente e depois permitiriam sua dominação e reestruturação da legislação quebrada? Por isso, o governo Temer pode estar trabalhando secretamente, burlando o referendo, na implantação do parlamentarismo. Nele, o chefe do executivo não é eleito pelo povo e a oposição fica engessada, restando a esta um papel mais de fiscalização da situação. No parlamentarismo, apesar de  democrático, o poder executivo baseia a sua legitimidade a partir do poder legislativo representado pelo parlamento nacional. O chefe de governo também é o chefe de Estado, mas é eleito pelo parlamento e é responsável perante o legislador que é quem nomeará o presidente do país.

Uma nova etapa do golpe de 2016, que afastou a presidente Dilma Rousseff sem crime de responsabilidade e instalou Michel Temer no poder, pode estar sendo desenvolvida por ninguém menos do que o ministro do Supremo Tribunal Federal indicado por Temer, Alexandre de Moraes. Provavelmente ele pretende colocar em pauta a ação que permite ao Congresso Nacional votar a emenda parlamentarista, que já foi rejeitada pela população brasileira.

O parlamentarismo seria uma saída para a direita brasileira incapaz de produzir um candidato capaz de rivalizar com o ex-presidente Lula; de acordo com a mais recente pesquisa Vox Populi, Lula tem 42% contra 34% de todos os adversários e venceria em primeiro turno.

Estejam preparados.

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