Fome e Poesia

fome e poesiaHá, neste mundo, alguma alma etérea o bastante capaz de se desenlaçar do objeto físico e perceber que há poesia (se é que esta ainda resta) em todas as coisas e em qualquer tempo que desejar?

Seria mais sensato mudar o foco da argumentação, afinal a sensação de poesia advém de uma percepção, em allegro, de substâncias invisíveis aos olhos mas percebidas pelo espírito e benéficas à ele. Se não temos tal faculdade – a de um sentido evoluído que nos fornece uma pluralidade de visões mentais -, seremos, ainda, aqueles mesmos primatas primordiais que inauguraram a humanidade; aqueles que desconheciam este poderoso sistema social do qual fazemos parte – cada qual com sua restrita função – e que, em seu predadorismo, se limitavam a ter sensações de fome, sede, frio e dor sendo dependentes diretos dos alimentos fixos nas vegetações ou em movimento livre pelos ares, campos, rios ou mares de seu habitat.

Basicamente, todos tinham o mesmo papel: caçar; sobreviver. E a partir de algum momento em que isso ficou muito fácil, a imaginação começou a trabalhar os cérebros hominídeos. Desde então, evoluímos e fizemos a história como a conhecemos. Muitos de nossa raça se tornaram célebres; notórios. E toda a potencialidade infinita e inimaginável do ser humano fez surgir culturas diversificadas entre os povos da Terra. Parecia que não havia limitações para a criatividade. Toda a arte, como a conhecemos, é o próprio enredo desta evolução.

Mas o tempo avançou tanto e tudo se transformou. Não temos que caçar; sujar nossas mãos com sangue, e quando comemos um hambúrguer temos a sensação de que é algo saído de uma máquina que nada tem a ver com nossa fome. É status puro. A desnutrição é um assunto sério em muitos corpos sociais, mas para muitas sociedades privilegiadas não tem o menor sentido. Pois aí está! Um sentido é substituído por outro tão logo o anterior esteja saciado de nosso desejo. E se o estômago não padece, seu dono nem se apercebe de sua existência fisiológica dando vaga, nas suas sensações mentais, aos sentidos criados na esfera das coisas amorfas, intácteis.

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Sobre dibarbosa

O autor estudou Letras, Língua Portuguesa, Latim, Grego, Espanhol, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Gestão da Informação na Universidade Federal do Paraná e Geografia no Setor de Ciências da Terra do Centro Politécnico da UFPR. Conhece os Estados de Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Bahia, passagens geográficas que influenciaram decisivamente em sua formação cultural levando-se em conta a grande diversidade étnica brasileira, o que também teve um papel fundamental na consolidação de sua sensibilidade literária. É autor de três livros intitulados "A Urbs Magna", "Teu Olho Direito É Meu" e "Kiosk 25", todos sob o codinome Dino Barsa, além de dezenas de poemas e outros pequenos projetos ainda em construção. Tem a música como hobby e, sendo instrumentista desde o início da adolescência, raramente passa o tempo sem seus instrumentos preferidos: a gaita de boca e o violão. Ainda, é adepto da alimentação com base nos superalimentos em associação com atividades físicas. Tem como costume a prática da empatia como forma de enxergar melhor o vasto mundo em que vivemos. Todos são bem-vindos.

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