Coréia do Norte deve à Suécia €300milhões por 1.000 volvos roubados

7 de setembro de 2014 0 Por Redação Urbs Magna
Coréia do Norte deve à Suécia €300milhões por 1.000 volvos roubados

Os veículos, que ainda estão sendo usados, foram encomendados há 40 anos e jamais foram pagos.

A maior dívida comercial da Coreia do Norte para o mundo ocidental é bizarra: 4 décadas atrás Kim Il-sung deu um golpe na Suécia em 1000 Volvos 144 sedan.

Tudo começou após o armistício coreano de 1953, quando a linha que divide o norte do sul cresceu mais firme, o que deixou outras fronteiras mais frágeis chamando a atenção de muitos países europeus neutros. A Cortina de Ferro subiu em uma parte totalmente nova. Um pequeno Estado efervescia marcado pela postura militar e sonhos de auto-suficiência graças a um superávit impressionante que registrava um crescimento econômico alucinante de 25%.

A Suécia foi um dos primeiros países a aproveitar a oportunidade. Os laços de Estocolmo e Pyongyang no início de 1970 surgiram de uma rara convergência de interesses industriais e de esquerda: grupos socialistas locais queriam que a Suécia reconhecesse formalmente o novo Estado comunista, ao passo que empresários suecos queriam explorar a indústria de mineração nascente da região. Para Kim Il-sung e seus camaradas, a iniciativa ocidental representava um passo importante da Coréia do Norte como uma força global.

E aquele regime tão impressionado com seu próprio logotipo começou a desenvolver gostos caros. “Dentro de um 144 GL você senta no couro”, dizia o marketing de 1970 que a Volvo enviou a seus compradores norte-coreanos. Juntamente com gigantes da indústria contemporânea como a Atlas Copco e a Kockums, a Volvo foi uma das primeiras empresas europeias a realizar uma incursão no mercado norte-coreano, o que prontamente lhe rendeu uma encomenda de 1.000 veículos, os primeiros dos quais foram entregues em 1974.

Mas, menos de um ano depois, numa feira industrial sueco-coreano em Pyongyang, as relações empreendedoras começaram a dar sinais de que o regime de Kim não pagaria pelas mercadorias que importava – nem mesmo as máquinas que encomendara para tal evento. Então as contas foram acumulando, pois os exportadores perceberam que o empreendimento fora uma armadilha de incontáveis ​​horas gastas em laços diplomáticos e industriais.

Os suecos, com sua sede de ampliar suas negociações, foram cegados pelo impressionante crescimento econômico da Coréia do Norte. Ajustada por juros e inflação, a dívida para com o Estado sueco já ultrapassa três bilhões de coroas suecas, ou € 300 milhões de Euros. Desde 2008, o regime norte-coreano considera a Suécia como uma nação mentirosa e manipulada pelos imperialistas dos EUA, mas a indignação não paga as contas. Antes de Kim Jong-un iniciar a elaboração de prospectos para parques aquáticos e bangalôs turísticos, como anunciou há alguns meses atrás, ele deve dar uma olhada na garagem do papai.

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